O que é um Seguro

Seguro é um instrumento de proteção contra risco de perda financeira. É uma forma de gerenciamento de risco contra acidentes e perdas incertas.

O Seguro é um contrato envolvendo duas ou mais partes em que uma age como segurador, com o dever de indenizar a outra, o segurado, em caso de ocorrência de um evento determinado sinistro.

O contrato de seguro chama-se apólice de seguro e o pagamento que o segurado faz para o segurador chama-se prêmio do seguro. Se o segurado sofre uma perda que potencialmente é coberta pela apólice, ele pode reclamar ao segurador para receber dele a indenização.

A perda, ou sinistro, pode ou não ser financeira, mas deve ser reduzível em termos financeiros. O objeto envolvido pelo seguro deve ser segurável pelo segurado pela sua posse, propriedade ou relacionamento preexistente.

Fatores que influenciam o preço do seguro

O preço de uma apólice de seguro é determinado por diversos fatores, quantitativos e qualitativos.

Por exemplo, no seguro de carros, o modelo é o maior fator para precificar a apólice.

Informações como índice de roubos ou furtos do modelo e os acessórios são fundamentais para a seguradora calcular a magnitude do risco estará correndo e quanto custará para substituí-lo.

O perfil do motorista e seu endereço outros fatores importantes.

O sexo, a idade, o estado civil e o histórico da pessoa que dirige o automóvel são levados em conta para calcular o risco de sinistro, bem como a região onde o segurado mora.

É Tudo Questão de Risco

Todas essas informações servem apenas para a seguradora calcular a probabilidade de o segurado sofrer um sinistro e, portanto, ter que reembolsá-lo.

Portanto, quanto menor o risco, menor será o preço cobrado pela apólice de seguro.

Por que fazer um seguro?

Riscos existem em toda parte. É preciso estar preparado para esses eventos. O seguro serve para controlar e diminuir o risco financeiro do segurado. Nesse caso há uma transferência de risco do segurado para a seguradora. A instituição seguradora incorrerá em perdas caso haja sinistro enquanto o segurado terá seu equilíbrio financeiro intacto. Caso não haja sinistro, a seguradora retém o prêmio como lucro.

Não se compra uma apólice de seguro com a intenção de acioná-la, isto é, o seguro, como o próprio nome diz, serve como segurança para seu possuidor. Da mesma forma que um airbag, que protege a pessoa em caso de impactos, mas não se espera que a pessoa queira que ocorra um acidente para usá-lo.

 

Referências:

Segurado. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Segurado>. Acesso em: 06 set. 2017.

Seguro. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Seguro>. Acesso em: 06 set. 2017.

Insurable interest. Wikipedia. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Insurable_interest>. Acesso em: 06 set. 2017.

Insurance. Wikipedia. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Insurance>. Acesso em: 06 set. 2017.

Insurance policy. Wikipedia. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Insurance_policy>. Acesso em: 06 set. 2017.

Risk management. Wikipedia. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Risk_management>. Acesso em: 06 set. 2017.

Sinistro (seguro). Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Sinistro_(seguro)>. Acesso em: 06 set. 2017.

O que é o Imposto de Renda (IR)

O Imposto de Renda ou IR é o tributo que incide sobre a renda de cada contribuinte, seja pessoa física ou pessoa jurídica.

No Brasil o Imposto de Renda pode ser classificado em: Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) e Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ). Continue reading “O que é o Imposto de Renda (IR)”

Índice de Basiléia

O Índice de Basiléia é a relação entre o patrimônio de referência de uma instituição financeira e o valor dos ativos ponderados pelo risco (risk weighted assests – RWA). É conhecido também como índice de solvência ou de solvabilidade de uma instituição financeira.

A atividade de intermediação financeira dos bancos envolve riscos usualmente suportados por capital. Quanto maior o índice, maior a sobra de capital próprio ou patrimônio para a realização de operações de crédito de maior risco. A recomendação internacional é de um patrimônio de referência (PR) mínimo de 8%. No Brasil o índice mínimo é de 11%.

O Índice de Basiléia é importante indicador para a análise financeira de bancos. O objetivo é fazer com que os bancos tenham capital suficiente para aguentar riscos de perda em sua atividade.

Em termos simples, o índice de Basiléia é a razão entre o patrimônio de referência e o valor dos empréstimos por ele concedidos ponderados pelo risco.

 

Onde:

  • IB: Índice de Basiléia
  • PR: Patrimônio de Referência
  • RWA: valor dos ativos ponderados pelo risco

Importância do Índice de Basiléia

O elevado nível de alavancagem das instituições financeiras é uma das explicações da crise de 2008-2009. A grande exposição em operações dos bancos reduzem a capacidades destes de absorver choques financeiros. Basiléia III veio estabelecer limites operacionais a serem seguidos pelas instituições financeiras para prevenir turbulências no sistema bancário.

O índice de Basiléia (IB), portanto, indica o quão bem o banco consegue enfrentar um choque de liquidez na economia.

O indicador é divulgado pelos bancos nos seus balanços. A figura abaixo mostra um exemplo das informações divulgadas pelo Banco do Brasil sobre seu PR, seu RWA e seu índice de Basiléia.

O IB do Banco do Brasil estava em 18,15% em março de 2017. Isso quer dizer que a cada R$ 100 emprestados pelo banco, a instituição possui R$ 18,15 de patrimônio.

Fonte: demonstrações contábeis do Banco do Brasil (1º trimestre de 2017)

O Banco vai quebrar?

Não, o banco não vai quebrar por ter um patrimônio menor do que o valor dos empréstimos concedidos. Os acordos de Basiléia foram criados justamente para evitar a quebra de bancos devido a uma corrida aos bancos e outros cenários de crise.

O site Banco Data oferece a evolução do índice de Basiléia dos bancos brasileiros, além de várias outras informações. Voltado aos investidores de renda fixa, o site publica a série histórica dos índices de Basiléia e de imobilização dos bancos.

Referências:

Tipos de Bancos

Existem três tipos de bancos no Brasil: o banco comercial, o banco de investimento e o banco múltiplo.

Banco Comercial

Os bancos comerciais são os mais conhecidos pelo público. São bancos que oferecem serviços de pagamentos, empréstimos e financiamentos, transferência de valores, depósitos e contas corrente e poupança.

Exemplos deste tipo de banco são Bradesco, Itaú Unibanco, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.

Banco de Investimento

Os bancos de investimento são especializados em alocar o capital de seus clientes nos mais diversos investimentos do mercado. Ao contrário dos bancos comerciais, os bancos de investimento não recebem depósitos. Eles oferecem serviços como private banking, wealth management, asset management e investment banking.

Exemplos de bancos de investimentos são o Goldman Sachs, o JP Morgan Chase, o BTG Pactual, o Credit Suisse, o Bradesco BBI e o Itaú BBA.

Banco Misto (Múltiplo)

O banco misto, ou múltiplo, é aquele que junta as funções de banco comercial e banco de investimento. Pode ser público ou privado, com pelo menos duas carteiras, sendo uma delas comercial ou de investimento. Basicamente todos os grandes bancos brasileiros são bancos múltiplos visto que, além de terem carteiras comerciais, também atuam no negócio de investimentos.

Referências:

Bancos múltiplos. Banco Central do Brasil. Disponível em: <https://www.bcb.gov.br/pre/composicao/bm.asp>. Acesso em: 19 mai. 2017.

Títulos Públicos – Tesouro Direto

Títulos Públicos são títulos de crédito emitidos pelo Tesouro Nacional para obter recursos para o governo. São dívidas contraídas pelo Estado para financiar suas atividades.

A principal forma de pessoas físicas investirem em títulos públicos é pelo Tesouro Direto.

Rentabilidade

Os títulos públicos são investimentos em renda fixa, porém isso não significa que as taxas e preços desses títulos não variam ao longo do tempo.

Existem dois tipos de títulos públicos: pré-fixados e pós-fixados.

Títulos Pré-Fixados

Os títulos pré-fixados têm a taxa de juro definida no momento da compra.

Seu rendimento é nominal.

Fonte: Tesouro Nacional, 2017.

Os títulos pré-fixados são indicados para momentos de queda da Taxa Selic, pois o investidor garante no momento da aplicação a sua rentabilidade.

Títulos Pós-Fixados

Os títulos pós-fixados têm seu valor corrigido por um índice (Taxa Selic ou IPCA).

No Tesouro IPCA a rentabilidade é composta por uma taxa predefinida (juro real r) mais a variação do indexador atrelado.

i = IPCA + r

Títulos Disponíveis

Existem 5 tipos de títulos públicos diferentes à disposição do investidor:

Tesouro Prefixado (LTN)

O investidor recebe o valor de face (valor investido + rentabilidade) somente no dia do vencimento. Esse título tem valor de face de R$ 1.000,00, o que quer dizer que o investidor receberá esse montante por uma unidade do título. O preço atual de compra é o valor presente, que desconta o rendimento da taxa de juros anual do título.

Tesouro Prefixado com Juros Semestrais (NTN-F)

O fluxo de pagamento dos rendimentos da aplicação é semestral. O investidor recebe, por meio dos cupons de juros, pagamentos da rentabilidade do título. No vencimento o investidor recebe o valor investido + último cupom de juros.

Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal)

O investidor recebe o total investido corrigido pelo IPCA + rentabilidade no dia do vencimento do título.

É um título ideal para proteger o investidor de uma alta inesperada da inflação, que poderia afetar significativamente a rentabilidade de um investimento pré-fixado, por exemplo.

Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTN-B)

Esse título paga juros semestrais e o investidor recebe o valor investido corrigido pelo IPCA + último cupom de juros no dia do vencimento.

É indicado para aqueles que querem ter um fluxo de caixa ao longo do investimento, em vez de ter que esperar o vencimento do título ou correr o risco de precisar vendê-lo antecipadamente.

Tesouro Selic (LFT)

Título pós-fixado que paga a variação da taxa Selic. O investidor recebe o valor investido + rentabilidade apenas no dia do vencimento.

É um título de baixa volatilidade e, portanto, baixo risco. O valor do Tesouro Selic é corrigido diariamente e não há possibilidade de rentabilidade negativa em nenhum momento.

Liquidez

O Tesouro Nacional faz recompras diárias de títulos para garantir a liquidez.

A menor quantidade de compra é a fração de 0,01 título, respeitando o piso de R$ 30,00. O valor máximo para aplicação pelo Tesouro Direto é de R$ 1.000.000,00 por mês.

Riscos

Os títulos públicos são considerados os investimentos de menor risco do país, pois são assegurados pelo Tesouro Nacional e, portanto, pelo governo.

Apesar de baixo, o risco não é zero. Não há como saber o que pode acontecer no futuro. As variações na Taxa Selic afetam os preços dos títulos para resgate antecipado.

O título de menor risco é o Tesouro Selic.

Como Investir

Para investir em títulos públicos uma pessoa precisa ter uma conta em uma corretora de valores.

Custos para Investir

Os rendimentos dos títulos públicos são tributados pelo Imposto de Renda quando do vencimento ou da venda do título.

O IR segue uma tabela regressiva, em que a alíquota diminui com o passar do tempo. A alíquota começa em 22,5% para os lucros de aplicações de até 180 dias e decresce até 15% dos lucros para investimentos de mais de 720 dias.

Além dos impostos, há a taxa de custódia da BM&FBovespa, de 0,3% ao ano sobre o valor dos títulos. Essa taxa é debitada semestralmente na conta da corretora. É um valor baixo comparado com algumas taxas de administração que alguns fundos cobram. Por exemplo, uma aplicação de 10 mil reais teria uma taxa de apenas R$ 30,00 por ano.

As corretoras podem cobrar taxa de administração anual sobre o valor dos títulos, que é livremente acordada com o investidor. A maioria tem taxas de até 0,5% ao ano, porém muitas não cobram nada para investir em títulos públicos pelo Tesouro Direto.

As taxas de custódia cobradas pelas corretoras podem ser consultadas aqui.

Como escolher um título?

O recomendado por consultores financeiros é diversificar os investimentos para reduzir os riscos.

Referências

CARACTERÍSTICAS dos Títulos Públicos. Tesouro Nacional. Disponivel em: <http://www.tesouro.fazenda.gov.br/documents/10180/391338/Caracteristicas_Titulos_Publicos.pdf>. Acesso em: 14 mar 2017.

COMO Funciona o Mercado de Títulos Públicos. Tesouro Nacional. Disponivel em: <http://www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro-direto-como-funciona-o-mercado-de-titulos-publicos>. Acesso em: 14 mar 2017.

RENTABILIDADE dos Títulos Públicos. Tesouro Nacional. Disponivel em: <http://www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro-direto-precos-e-taxas-dos-titulos>. Acesso em: 14 mar 2017.

Taxa de Câmbio

Taxa de Câmbio é o preço, em moeda nacional, de uma unidade de moeda estrangeira. Por exemplo, a taxa de câmbio do real em relação ao dólar americano pode ser R$ 3,2205/US$, ou seja, cada dólar custa R$ 3,2205.

Regimes Cambiais

As taxas de câmbio são determinadas por inúmeros fatores. Além da oferta e da demanda, o regime cambial adotado, a regra estabelecida pela autoridade monetária do país, tem um papel muito importante.

Existem basicamente três tipos de regimes cambiais:

  • Câmbio fixo;
  • Câmbio flutuante e
  • Câmbio atrelado (também chamado de banda cambial).

Cada regime tem suas vantagens e desvantagens.

Câmbio Fixo

No regime de câmbio fixo a autoridade monetária determina um preço fixo de uma moeda estrangeira em moeda nacional. A conversão de moeda estrangeira em moeda nacional, e vice-versa, é garantida pelo BC àquele preço.

Para manter a taxa de câmbio fixa o governo compra e vende sua própria moeda no mercado cambial ao preço fixado. É preciso que o país tenha uma reserva internacional suficiente para cobrir as entradas e saídas da moeda estrangeira.

Esse regime pode ser feito na ausência de um banco central através do estabelecimento de um Currency Board.

Tipicamente o regime de câmbio fixo é usado com o objetivo de estabilizar o valor de uma moeda ao fixá-lo diretamente numa taxa pré-determinada em relação à moeda âncora, que é mais estável e predominante internacionalmente. Algumas vantagens desse regime são:

  • Maior estabilidade da moeda
  • Eliminação do risco cambial
  • Evita gastos fiscais financiados pela dívida pública, o que previne a alta inflação
  • Menor volatilidade dos preços relativos

E algumas desvantagens são:

  • Necessidade de o governo ter reservas internacionais suficientes
  • A taxa de câmbio anunciada pode não coincidir com a taxa de equilíbrio de mercado, ocasionando excesso de demanda ou de oferta
  • Falha em identificar vantagens e desvantagens comparativas, o que pode levar a uma alocação de recursos ineficiente pelo mundo
  • Não permite a correção automática de desequilíbrios na balança de pagamentos do país

Câmbio Flutuante

No regime de câmbio flutuante as taxas variam livremente ao sabor da oferta e demanda do mercado. O governo nunca intervém no mercado cambial com o objetivo de valorizar ou desvalorizar a taxa de câmbio.

Há de se constatar que o regime de câmbio flutuante puro não é praticado pela maioria, mas sim sua versão de “flutuação suja”. Nessa modalidade o BC atua de modo a evitar variações bruscas nas cotações, ou mesmo influenciar na taxa de câmbio.

O câmbio flutuante se mostra interessante para países com economias de grande estabilidade. Para países com instabilidades econômicas e políticas seu uso não é positivo.

Câmbio Atrelado

O regime de câmbio atrelado é um híbrido entre o câmbio flutuante e o câmbio fixo. Nesse regime a taxa de câmbio varia diariamente dentro de bandas determinadas pelo governo. O Banco Central intervém fortemente no mercado para manter o preço da moeda atrelado dentro das bandas determinadas.

Para que esse regime funcione é preciso que o BC tenha reservas internacionais suficientes para manter as operações de compra e venda de moeda mesmo em crises. Esse é um arranjo bastante difícil, mesmo para países com economias fortes.

O Brasil adotou o regime de câmbio atrelado ao dólar entre 1995 e 1998.

Taxa de Câmbio Real

A taxa de câmbio é um preço e, portanto, é influenciada pela lei de oferta e demanda. Em nenhum país do mundo os preços permanecem estáticos.

Assim como no Brasil há inflação, nos Estados Unidos, nas nações europeias e asiáticas também existe inflação. E, como uma das definições da inflação é o aumento dos preços que por consequência significa aumento dos custos de produção tanto para importadores quanto para exportadores, esse é um fator que deve ser levado em conta na análise do câmbio.

A partir disso temos os conceitos de taxa de câmbio nominal e taxa de câmbio real.

Pagamentos Internacionais

O mercado de divisas ou mercado cambial é o conjunto de agentes econômicos que transferem recursos de um país para outro. É através desses agentes que pessoas, empresas e governos fazem pagamentos, remessas e transferências internacionais.

A transferência entre instituições de diferentes países ocorre em dólares americanos. Os bancos convertem a moeda local em dólares (para quem envia) e dólares em moeda local (para quem recebe).

Taxa de Juros e Câmbio

A taxa de juros da economia do país é outro fator importante para a definição da taxa de câmbio.

Teoricamente, juros altos atraem capital estrangeiro ao país, o que aumenta as reservas internacionais do Banco Central e, por sua vez, tende a diminuir a taxa de câmbio. O inverso também é válido, juros baixos afastam o capital estrangeiro, diminuem as reservas internacionais e aumentam a taxa de câmbio.


Referências:

CARVALHO, M. A. D.; SILVA, C. R. L. D. Economia Internacional. 4ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2007.

EXCHANGE rate. Wikipedia. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Exchange_rate>. Acesso em: 19 jan. 2017.

FIXED exchange-rate system. Wikipedia. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Fixed_exchange-rate_system>. Acesso em: 19 jan. 2017.

HANKE, S. Os três tipos de regimes cambiais existentes – e qual seria o mais adequado para o Brasil. Mises Brasil, 02 out. 2015. Disponível em: <http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2196>. Acesso em: 19 jan. 2017.

TAXA de câmbio. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Taxa_de_câmbio>. Acesso em: 19 jan. 2017.

IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo

Índice oficial de inflação do Brasil, o IPCA é calculado mensalmente pelo IBGE, sendo um indicador importante para economistas e empresas, usado para deflacionar preços, atualizar valores, salários, etc.

A pesquisa coleta dados mensalmente em estabelecimentos comerciais, prestadores de serviços, domicílios e concessionárias de serviços públicos.

Primeiramente são calculados os índices para cada uma das regiões 13 regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE, com base nos preços coletados entre o primeiro e o último dia do mês. Com a agregação dos índices regionais obtém-se o índice nacional utilizando-se a média aritmética ponderada.

O IPCA é uma média ponderada da variação de preços de uma cesta de bens padrão definida por uma Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF). Cada produto ou serviço tem um peso no IPCA de acordo com a POF e são agregados em 9 grupos. O IPCA utiliza um índice de Laspeyres para calcular a variação de preços.

A data-base do índice, que corresponde ao índice igual a 100, é dezembro de 1993. Isso quer dizer que o IBGE definiu a cesta de bens como custando R$ 100,00 nesse mês. A cada atualização do índice a pesquisa publica o novo preço dessa cesta. A variação percentual é a inflação medida.

Grupos de Produtos e Serviços

O IPCA é subdividido em nove grupos de produtos e serviços:

  1. Alimentação e Bebidas (22,1%)
  2. Transportes (22%)
  3. Habitação (14,3%)
  4. Saúde e Cuidados Pessoais (11,1%)
  5. Despesas Pessoais (9,2%)
  6. Vestuário (6,2%)
  7. Comunicação (5,6%)
  8. Artigos de Residência (5,4%)
  9. Educação (4,2%)

O peso de cada produto no índice é calculado mensalmente para melhor refletir os hábitos de consumo das famílias brasileiras. Os pesos supracitados são apenas um exemplo de um determinado mês.

Regiões

Esse indicador é calculado com base nos preços de 13 regiões:

  1. São Paulo (30,7%)
  2. Rio de Janeiro (12,1%)
  3. Belo Horizonte (10,9%)
  4. Porto Alegre (8,4%)
  5. Curitiba (7,8%)
  6. Salvador (7,4%)
  7. Recife (5,1%)
  8. Fortaleza (3,5%)
  9. Belém (4,7%)
  10. Brasília (2,8%)
  11. Goiânia (3,6%)
  12. Vitória (1,8%)
  13. Campo Grande (1,5%)

A Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) é, com ampla vantagem, a mais representativa região no índice, com mais de 30% de peso.

Faixa de Renda

O índice mede o custo de vida da população com renda de 1 a 40 salários mínimos, residentes nas áreas urbanas das regiões pesquisadas.

Ao contrário do INPC, que só inclui a população com renda de 1 a 5 salários mínimos, o IPCA é muito mais abrangente.

Usos do IPCA

Além de ser o índice oficial de inflação do Brasil, o IPCA é utilizado em vários instrumentos financeiros. Por exemplo, os títulos públicos Tesouro IPCA+ (NTN-B), alguns fundos de investimentos e outros investimentos de renda fixa são atrelados ao indicador. Contratos de prestação de serviços podem ter cláusulas de reajuste baseadas na variação desse índice.

O IPCA é usado como referência para a política de metas de inflação do Conselho Monetário Nacional (CMN) do Banco Central. O Conselho de Política Monetária (Copom) toma suas decisões de elevar ou baixar a taxa SELIC com base no IPCA.

Comportamento do IPCA entre 1995 e 2016

IPCA-15

Além do índice mensal, o IBGE também calcula o IPCA-15, que compreende a variação dos preços do meio do mês anterior até o meio do mês corrente. Divulgado por volta do dia 25 de cada mês, o IPCA-15 é uma espécie de prévia da inflação.

Referências

  1. Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA – IBGE
  2. Índices de Inflação do Brasil – Wikipédia
  3. Entenda melhor como funcionam os índices de inflação – Infomoney
  4. Índices de Preços no Brasil – Banco Central do Brasil

Mudança nas Regas dos Boletos Bancários

Em 2017 as regras dos boletos bancários vão mudar. O setor bancário está introduzindo novas regras ao meio de pagamento mais utilizado no país.

O que é a Nova Plataforma da Cobrança?

A chamada “Nova Plataforma da Cobrança”, é um sistema para modernizar o processo de liquidação e compensação dos boletos bancários. Essa é uma iniciativa do setor bancário que entendeu que os boletos bancários precisavam passar por uma modernização.

A partir de 2017 todos os boletos serão cadastrados numa base de dados únicaacessível aos bancos. Assim, pagamentos duplicados e aplicação de juros e multa em caso de boletos vencidos não serão mais problemas que o consumidor precisará se preocupar

A mudança também aumentará a segurança e reduzirá as fraudes de emissão de boletos. Os dados do pagador e do beneficiário constarão no cadastro do boleto.

As novas regras beneficiarão tanto o consumidor quanto as empresas que recebem por boleto.

Cronograma

Para não comprometer as atividades das empresas e visando aspectos técnicos e operacionais, o setor bancário definiu um cronograma para o início de validação das regras. A implantação será feita em ondas, iniciando com os boletos de valor maior que R$ 50.000,00 em julho de 2017. A mudança deve ser concluída no mês de dezembro.

TODOS OS BOLETOS COM VALOR: DATA DO INÍCIO DE VALIDAÇÃO
IGUAL OU ACIMA DE R$ 50.000,00 10/07/2017
IGUAL OU ACIMA DE R$ 2.000,00 11/09/2017
IGUAL OU ACIMA DE R$ 500,00 09/10/2017
IGUAL OU ACIMA DE R$ 200,00 13/11/2017
BOLETOS DE TODOS OS VALORES 11/12/2017

Cobrança Registrada

Não será obrigatório o registro do boleto, porém o pagamento só poderá ser realizado na instituição beneficiária (banco emissor) que emitiu o boleto, mesmo antes do vencimento.

Boletos registrados poderão ser pagos em qualquer banco, mesmo vencidos.

Concessionárias de Serviços Públicos e Tributos

A Nova Plataforma da Cobrança não afeta os pagamentos de concessionárias de serviços públicos e tributos, pois geralmente são feitos por outros tipos de documentos.

Fonte: FEBRABAN

Sofisa Direto

O Sofisa Direto é a divisão online do banco Sofisa S.A. que oferece opções de investimentos de renda fixa 100% online.

Lançado em meados de 2011, o Sofisa Direto permite que o cadastro e todas as operações sejam realizadas sem tarifas pela internet.

O banco oferece CDBs, LCIs e LCAs. As taxas de rendimento chegam a 110% do CDI no CDB pós-fixado com prazo 5 anos. O Sofisa Direto também oferece o CDB com liquidez diária e rendimento de 100% do CDI.

No site Reclame Aqui, o Sofisa Direto tem todas as reclamações atendidas.

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CDBs com Liquidez Diária

O Sofisa Direto oferece CDBs com liquidez diária, ou seja, podem ser resgatados a qualquer momento. A taxa oferecida é de 100% do CDI.

CDBs Atrelados à Inflação

Também são oferecidos CDBs com remuneração vinculadas à variação da inflação (IPCA), mais juros prefixado definido no momento da contratação.

Por exemplo: IPCA + 6% a.a.

Investimento Isento de Imposto de Renda

O Banco Sofisa tem, ainda, LCAs e LCIs, que são isentos de imposto de renda.

Esses investimentos dependem de lastros para serem emitidos pelos bancos, por isso nem sempre estão disponíveis para investimento.

Segurança e Longo Prazo

As melhores taxas de retorno são oferecidas para investimentos de mais longo prazo (5 anos).

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Fontes:

Blockchain: A Revolução nos Serviços Financeiros

Blockchain é uma tecnologia de registro descentralizado que contêm os detalhes de cada transação de Bitcoin completada até agora. Devido a um certo número de protocolos técnicos inovadores, o registro provou-se ser excepcionalmente preciso e seguro.

Blockchain, a tecnologia por trás de criptomoedas como o Bitcoin, é um dos tópicos mais quentes do setor financeiro. Dúzias de grandes instituições financeiras, incluindo os maiores bancos do mundo, já lançaram iniciativas para explorar o potencial do blockchain.

O interesse na tecnologia explodiu quando se tornou claro que o blockchain pode ser usado para documentar transferências de qualquer ativo digital, registro de posse de propriedade física e intelectual, e estabelecer direitos através de contratos inteligentes, entre outras aplicações. Ao reordenar e automatizar processos complexos e trabalhos intensivos, a tecnologia pode possibilitar organizações a operar de forma mais rápida e mais barata.

As instituições financeiras estão explorando uma variedade de oportunidades para usar o blockchain, incluiñdo aplicações para melhorar e aperfeiçoar o câmbio de moedas, gestão da cadeia de suprimentos, comércio e liquidação, remessa, transferências ponta-a-ponta, micropagamentos, registro de ativos, correspondentes bancários e relatórios regulatórios (incluindo aplicações relacionadas com “know your customer” e as regras de anti-lavagem de dinheiro).

Destacando o potencial para os bancos, o Santander emitiu um relatório em 2015 estimando que o blockchain “poderia reduzir os custos de infra-estrutura bancária atribuíveis a pagamentos além da fronteira, negociação de títulos e conformidade regulatória entre 15 e 20 bilhões de dólares por ano em 2022.” E há razão para acreditar que o atual cenário pode ser melhor.

Para a maior parte das grandes intituições financeiras que estão explorando o blockchain, 2016 será o um ano de continuação na inovação e experimentação. Mas essas atividades só são o prelúdio das profundas mudanças através do setor financeiro.

ABC do Blockchain

O Blockchain é uma tecnologia que foi inicialmente desenvolvida para o Bitcoin, a criptomoeda. É um registro distribuído ou base de dados que é operado por uma rede ponta-a-ponta de participantes não-afiliados. Usando computadores rodando algoritmos sofisticados, esses participantes, chamados “mineiros” de Bitcoin, processam transações de acordo com estritos protocolos que asseguram um alto grau de precisão e segurança. Qualquer um pode participar — o blockchain é totalmente transparente e disponível para todos — mas somente os mineiros que são os primeiros a processar uma transação individual são recompensados.

Como as transações individuais são processadas e verificadas por outros mineiros na rede, eles são empacotados em grupos chamados blocos; esses blocos de transações são ligados uns aos outros para formar a cadeia de blocos (blockchain).

Cada transação de Bitcoin é permanentemente gravado no blockchain do Bitcoin para todos verem, criando um sempre crescente histórico de atividade. O processo de mineração cria um monitoramento contínuo, descentralizado por cada computador na rede e assegura a precisão e segurança do registro do blockchain.

A tecnologia do blockchain revoluciona o processo de transação por dispersar o controle e prover total transparência, prevenindo a necessidade de algum tipo de intermediário ou autoridade centralizada que tradicionalmente conduz, autoriza ou verifica as transações.

O uso do blockchain não está limitado ao Bitcoin ou outras criptomoedas. O blockchain tem o potencial de transformar como negócios e governos trabalham em uma grande variedade de situações. O blockchain pode ser usado para registrar e rastrear os detalhes de qualquer transação ou posse de qualquer ativo, incluindo ativos tangíveis, tal como imóveis, e ativos intangíveis, tal como propriedades intelectuais. Também pode ser usado para automatizar contratos, simplificando dramaticamente o processo de sua criação e executando-os. (É importante salientar que, empresas podem escolher desemvolver blockchains públicas ou privadas, dependendo de seus objetivos; veja “Blockchains Públicos vs. Privados” para mais detalhes.)

A percepção do potencial do blockchain é refletida nas tendências de investimentos. De acordo com o Goldman Sachs, as empresas de Venture Capital (VC) investiram quase um bilhão de dólares na tecnologia nos últimos três anos, com aproximadamente metade desse montante em 2015 (Gráfico 1). Como veremos, instituições financeiras estão entre as maiores investidoras no blockchain, refletindo uma crescente crença de que a tecnologia pode ter o maior impacto no setor de serviços financeiros.

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Blockchains Públicos vs. Privados

Para entender as diferenças entre blockchains públicos e privados, considere a diferença entre a Internet, que é pública e disponível para todos, e as intranets, que são criadas por entidades específicas e disponíveis apenas para certos indivíduos com permissão.

Blockchains públicos são descentralizados e acessíveis para qualquer um, independentemente de sua filiação. As transações são verificadas publicamente e permanecem em domínio público. Para assegurar a integridade do sistema e validar as transações, incentivos financeiros e mecanismos concensuais são embutidos no sistem. Crowdsourcing é uma vantagem dos blockchains públicos, que estão for a de controle de qualquer entidade privada ou governamental.  Por um blockchain público estar disponível para todos, aperfeiçoamentos são feitos por concenso dos participantes. Acesso aberto encoraja maior participação e faz com que seja mais provável que redes de blockchains públicos sejam empregados numa maior variedade de aplicações. É importante notar que blockchains públicos oferecem o potencial de reduzir taxas de transação. Na rede do Bitcoin, por exemplo, a taxa média de processamento por uma transação de Bitcoin é de 0,04 centavos, comparado com mais de 0,35 centavos por uma transação típica de cartão de crédito.

Blockchains privados são configuradas e mantidas por uma entidade privada. Protocolos de segurança controlam e limitam o acesso das partes autorizadas. As transações são verificadas dentro do blockchain privado e pode, potencialmente, ser alterado dentro da rede privada, o que possibilita operadores a corrigir erros. Essa característica não é permitida em blockchains públicos, em parte porque isso pode criar riscos de segurança. Há dois tipos de blockchains privados: consórcios, que inclui participantes pré-selecionados de uma vasta gama de organizações; e blockchains totalmente privados, que são limitados a participantes de uma organização. Blockchains privados podem automatizar transações mais rapidamente – geralmente dentro de segundos – porque eles operam em redes mais centralizadas e composta de poucos computadores. Em contraste, podem levar até duas horas para autenticar uma transação de Bitcoin, que ocorre num blockchain público distribuído globalmente, envolvendo milhares de computadores não afiliados.

Aplicações do Blockchain nos Serviços Financeiros

Uma lista de grandes instituições financeiras já lançaram esforços para explorar as oportunidades potenciais que o blockchain tem para seus negócios. Algumas, como o USAA Bank e o BBVA, investiram milhões de dólares em provedores de serviços de Bitcoin, como Coinbase e Circle, para estudar as aplicações em blockchain. Outras, tais como Barclays e Fidelity, criaram aceleradoras ou hackatons patrocinadas para oferecer espaço para, e aprender com, startups. Outras ainda, como o Citi e a Nasdaq, estão testando sistemas construídos em cima da tecnologia do blockchain para explorar seu potencial.

O Goldman Sachs preencheu um pedido para uma patente sobre um sistema de pagamentos para mercados de títulos que poderia empregar sua própria moeda criptográfica, o SETLcoin. O Goldam é também uma das 42 instituições financeiras (metade dos quais ranqueiam nos 100 maiores do mundo, por receita) que se juntaram num consórcio de blockchain lançado em 2015 pela R3 CEV, uma empresa de tecnologia financeira. Esse consórcio, um dos primeiros esforços conjuntos entre as maiores intituições no setor de serviços financeiros, está explorando oportunidades para desenvolver o blockchain em novos produtos e serviços financeiros, bem como suas operações em curso.

De fato, as instituições financeiras investiram US$ 75 milhões na tecnologia do blockchain em 2015, de acordo com o Aite Group, uma empresa de pesquisa de serviços financeiros. Isso é mais do que o dobro investido em 2014, e o Aite estima que as instituições financeiras irão investir cinco vezes esse montante anualmente até 2019 (Gráfico 2).

A seguir estão algumas áreas e aplicações que estão atraindo as maiores atenções das companhias de serviços financeiros e reguladores.

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Execução de negócio e liquidação

O blockchain vai permitir liquidações mais rápidas por custos menores enquanto abaixa, simultaneamente, o risco de fraude. Algumas companhias desenvolverão ofertas únicas e poderosas de negociação e liquidação. Um exemplo é arede de blockchain privado Linq, da Nasdaq, que possibilita companhias privadas que ainda não foram submetidas às demandas de manutenção de registro da listagem pública para observar as mundanças na posse de ações emitidas pelos fundadores, primeiros investidores e empregados. Similarmente, a Ripple estabeleceu uma plataforma de troca de valores poderosa, na qual instituições financeiras podem trocar, em tempo-real, moeda, cripto-moeda, commodities e outros ativos de valor, sem depender de intermediários tradicionais do sistema financeiro internacional, como a Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication (SWIFT). Num contexto diferente, a Overstock.com emitiu títulos privados via mecanismo de blockchain, e a US Securities and Exchange Commission aprovou a proposta da Overstock para emitir e registras ações da empresa usando blockchain.

Em cada caso, um registro da mudança de posse é imadiatamente inscrito no blockchain, e o pagamento e liquidação do negócio ocorre simultaneamente.

Negociação de ativos

O blockchain vai permitir o desenvolvimento de novas bolsas de valores que facilitam a negociação de uma grande variedade de ativos, não apenas instrumentos financeiros. Isso envolve normalmente a troca de tokens virtuais que representam esses ativos adjacentes, o que poderia incluir propriedade física ou intelectual. No início de 2016, a companhia de tecnologia R3 CEV conduziu um teste que envolveu a troca de tokens que representavam ativos teóricos através de uma aplicação de blockchain privado. O teste, que usou o Ethereum, uma plataforma de blockchain open-source, foi executado por um período de cinco dias entre escritórios bancários localizados na América do Norte, Ásia e Europa. Os bancos participantes do teste incluem Barclays, HSBC, Natixis, Royal Bank of Scotland, TK Bank, UBS, UniCredit e Wells Fargo.

Registro de ativos físicos

O blockchain vai simplificar o processo de resgistro de ativos, incluindo bens imóveis. No mercado imobiliário, o blockchain elimina a necessidade de seguro de título para confirmar a precisão do registro de propriedade de um governo local. Ao invés do atual processo de revisão e registro de título caro e demorado, um blockchain público pode ser usado para criar registro da posse da propriedade, reduzindo dramaticamente o tempo gasto para transferir a propriedade imobiliária, reduzindo os custos associados. O blockchain também vai facilitar uma comparação de preços mais rápida e permitir o acompanhamento dos pagamentos judiciais sobre os contratos. Diversas startups, incluindo Ubitquity e Factom, estão construindo plataformas projetadas para rastrear a posse via funcionalidade de reconhecimento de firma.

Gestão de cadeia de suprimentos

Por possibilitar o rastreamento meticuloso do movimento de bens, o blockchain providenciará uma gestão de cadeia de suprimentos altamente segura e resistente a fraudes. A Everledger, uma startup baseada em Londres, está focando no registro e rastreamento de diamantes individuais para documentar sua proveniência, rastrear sua posse e combater fraudes contra seguros. A companhia não apenas captura o número de série inscrito em cada pedra, mas também digitaliza efetivamente cada diamante, colocando todos os dados coletados num blockchain. A fundadora da companhia, Leanne Kemp, espera expandir essa aplicação particular da tecnologia do blockchain para outros bens de luxo, como relógios de alta qualidade, obras de arte e bolsas de grife, para oferecer um sistema robusto para rastrear posse e transferências.

Gestão de reserva de caixa

O sistema atual de múltiplos intermediários aumenta o tempo de liquidação, os custos e os riscos para os intermediários da instituição financeira. O blockchain oferece o potencial de cortar drasticamente o tempo de liquidação, o que reduzirá a quantidade de dinheiro e colateral que as instituições financeiras precisarão guardar para mitigar riscos de liquidação. Isso vai ser significativo para transações internacionais, que atualmente demoram dias para completar, mas podem ser completadas em horas usando a tecnologia do blockchain.

Contratos inteligentes

Estes usam tecnologia digital para incorporar regras de negócios em um contrato, incluindo a execução automatizada de cláusulas contratuais.Usando o blockchain, os contratos inteligentes podem ser customizados de contrato para contrato, estreitando transações ao cortar contrapartes e intermediários. Contratos inteligentes serão também de interesse para os reguladores por causa da maior segurança e riscos reduzidos de fraude interna. A IBM está investindo num blockchain proprietário para facilitar contratos digitais, mas também planeja lançar uma versão de código aberto que pode ser usado por quelquer pessoa. Contratos inteligentes usando blockchain podem ajudar artistas, permitindo músicos e autores a licenciar e acompanhar o uso de seus trabalhos eles mesmos sem intermediários.

Regulação algorítmica

O blockchain não está apenas transformando o setor bancáario, também transformará sua supervisão e regulação. Por exemplo, instituições financeiras podem alavancar aplicações existentes para desenvolver algorítmos que identificam padrões de abuso relacionados a fraude e lavagem de dinheiro. A tecnologia do blockchain vai permitir que os bancos acompanhem o histórico de cada transação nos seus sistemas para assegurar que a origem, destinação final e uso dos fundos são claros e rastreáveis. Isso vai melhorar a capacidade dos bancos de identificar redes e clientes suspeitos. Entidades privadas já usam técnicas algorítmicas que não se baseia no blockchain para monitorar e administrar conformidades – por exemplo, o sistema automatizado de ContentID do Google desativa vídeos do YouTube que violam as lei de direitos autorais. Similarmente, agências governamentais serão capazes de implementar o blockchain em sistemas como o Fedwire para permitir que os supervisores bancários identifiquem risco de pagamento sistêmicos.

O que Esperar

O blockchain está liderando o caminho para uma onda de inovação financeira que já está perturbando os setores bancário e financeiro. É tentados fazer uma analogia dessa transformação com a revolução da informática da década de 1980, mas isso subestimaria a extensão das mudanças futuras. Quando os computadores substituíram o papel nos escritórios das instituições financeiras, os processos subjacentes permaneceram inalterados. Por exemplo, as etapas necessárias para concluir um negócio de títulos são essencialmente as mesmas hoje como eram há 50 anos. Os computadores apenas aumentaram a velocidade de negociação. O blockchain, em contrapartida, reordena a mecânica das transações financeiras de formas que não imaginávamos há poucos anos atrás.

Levará tempo para que as instituições se deêm conta dos benefícios e riscos potenciais do blockchain. Mas poucos podem se dar ao luxo de se sentar na cadeira à espera da certeza, pois a tecnologia evolui e é implantada pelos concorrentes. O ritmo da inovação vai acelerar à medida que a tecnologia e os serviços financeiros continuam a convergir, e o sucesso dependerá muitas vezes da capacidade de tomar medidas razoáveis com base numa experiência informada. Assim, é fundamental que as instituições participem ativamente neste ciclo de inovação e ruptura para garantir que elas compreendam como a tecnologia está moldando o setor e que estão posicionadas para identificar e buscar oportunidades conforme o cenário evolui. Da mesma forma, será importante entender que trabalhar para desenvolver uma solução perfeita será fútil se o próprio problema mudar antes que a solução possa ser implementada.

Estamos em um momento em que podemos prever com razoável certeza uma infinidade de mudanças e desenvolvimentos a partir de soluções baseadas no blockchain. Agora, no advento da revolução do blockchain, o desafio que está por vir para os serviços financeiros e empresas fintech podem não ser soluções elegantes, pois é a identificação dos problemas que exige um modo de pensar inovador. As empresas mais bem-sucedidas serão aquelas que aproveitarão as oportunidades da revolução do blockchain.

Fonte: White & Case